Budismo e Cristianismo

Um estudo comparativo de dois caminhos de espiritualidade Por Luiz Vieira Marques

Luiz Vieira Marques - Filósofo formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais com licenciatura plena; sociólogo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais com especialização em Sociologia Urbana: PUC-MG/ Unileste–MG.
O propósito deste estudo é ampliar o conhecimento dos leitores sobre as semelhanças e dessemelhanças entre estes dois caminhos de espiritualidade: budismo e cristianismo, possibilitando alargar as possibilidades de diálogo e entendimento.
Pretende-se também, sem maiores pretensões, contribuir para o grande debate sobre o que é bom para o homem, não só de forma pragmática ou positivista, mas fundamentalmente; não só de maneira filosófica ou abstrata, mas existencial e concreta; não só de forma psicopedagógica, mas num sentido incondicionalmente obrigatório e universal.
Neste sentido, a religião não deve ser analisada a partir do critério de verdade que afasta, que separa, que divide. A religião, no contexto atual, deve ser pensada a partir do critério ético geral do humano. Daí não podermos prescindir dos resultados da Psicologia, da Pedagogia, da Filosofia, da Sociologia e da Ciência Jurídica.


As diferenças são profundas


Do ponto de vista religioso, budismo e cristianismo são, inegavelmente, duas tradições mundiais, completamente diferentes. É impossível alguém ser cristão e, ao mesmo tempo, budista, ou vice-versa. Seria misturar fogo com água. São caminhos de espiritualidade radicalmente diferentes, principalmente quando se tem em mente os paradigmas vigentes do cristianismo.
Na sua essência, o cristianismo, juntamente com o judaísmo e o islamismo, são classificados como religiões reveladas: em que Deus fala aos homens. Uma religião revelada é caracterizada pela livre comunicação salvadora que Deus faz de si mesmo ao homem pecador, em Cristo, pela comunicação pessoal e, ao mesmo tempo, comunitária (Igreja).
Já o budismo situa-se no grupo das religiões classificadas como salvíficas. São aquelas religiões portadoras dos meios de que o homem precisa para salvar-se dos sofrimentos presentes e conseguir a felicidade. Neste grupo encontram-se, além do budismo, o confucionismo, o taoísmo, o hinduísmo. Estas religiões, como o fizeram Zaratustra, alguns filósofos gregos e profetas judeus, que, espiritualizando e aprofundando o pensamento, abriram caminho a uma religiosidade, ao mesmo tempo pessoal e universal.


Seguindo a trilha da pesquisa junguiana


O cristianismo, fiel à tradição do pensamento religioso ocidental, considera o homem inteiramente dependente da graça de Deus ou da Igreja, na sua qualidade de instrumento terreno exclusivo da obra da redenção sancionado por Deus.
O homem é infinitamente pequeno, um quase nada, enquanto a graça de Deus é tudo. E esta graça vem de fora. Provém de uma outra fonte: Deus.
“O homem está sempre em falta diante de Deus”, como dizia Kierkegaard.
No cristianismo, o homem procura conciliar os favores de Deus mediante o temor, a penitência, as promessas, a submissão, a auto-humilhação, as boas obras e os louvores.
Deus é um totaliter alter, o totalmente outro, absolutamente perfeito e exterior, a única realidade existente.
“Se modificarmos um pouco a fórmula e em lugar de Deus colocarmos outra grandeza, como, por exemplo, o mundo, o dinheiro, teremos o quadro completo do homem ocidental zeloso, temente a Deus, piedoso, humilde, empreendedor, cobiçoso, ávido de acumular apaixonada e rapidamente toda a espécie de bens deste mundo tais como riqueza, saúde, conhecimentos, domínio técnico, prosperidade pública, bem-estar, poder político, conquistas etc. Quais são os grandes movimentos propulsores de nossa época? Justamente as tentativas de nos apoderarmos do dinheiro ou dos bens dos outros e de defendermos o que é nosso. A inteligência se ocupa principalmente em inventar ’ismos’ adequados para ocultar seus verdadeiros motivos ou para conquistar o maior número possível de presas.”1
O budismo, seguindo a tradição oriental, sublinha o fato de que o homem é a única causa eficiente de sua própria evolução superior. Ao contrário do cristianismo, acredita na “auto-redenção”, ou seja, o homem é Buda e se salva por si próprio.
O budismo se baseia na realidade psíquica enquanto condição única e fundamental da existência. A psique é o elemento mais importante, é o sopro que tudo penetra, ou seja, a natureza de Buda; é o espírito de Buda, o Uno, o Dharma-kaya. Toda vida jorra da psique e todas as suas diferentes formas de manifestação se reduzem a ela. É a condição psicológica prévia e fundamental que impregna o homem em todas as fases de seu ser, determinando todos os seus pensamentos, ações e sentimentos.2


Apesar das diferenças, é imperativo o diálogo inter–religioso


Não obstante a radicalidade das diferenças, budismo e cristianismo são dois grandes caminhos de salvação que levam ao mesmo fim: a felicidade eterna. São dois caminhos que, muitas vezes, cruzam-se e sempre podem se enriquecer mutuamente.
Todos sabem que a relação de fraternidade é o primeiro e mais profundo dos laços existentes entre homens e mulheres, e que por isso a concórdia entre as religiões é condição prévia para a paz entre as nações. E não há concórdia entre as religiões se cada membro de uma religião trilha o seu próprio caminho de forma obstinadamente dogmática, fundamentalista, afirmando que a sua religião é a única verdadeira, que a fé que professa é superior às outras.
Budismo e cristianismo, ainda, nas suas diferenças e, consideradas em sua multidimensionalidade e universalidade, carregam imensurável riqueza histórica, filosófica e cultural. São parte e parcela da grande empresa coletiva de construção da sociedade humana. Ambas têm tentado levar os povos, cada uma com seus próprios métodos, a encontrar a distinção fundamentada entre verdadeiro e falso, amor, compaixão e ódio, solidariedade e egoísmo, tolerância e intolerância, moral e imoral, em todos os campos do pensar e do agir humanos.
No limiar do terceiro milênio, quem pratica uma religião com esta mentalidade, impregnada deste tipo de sentimento de intolerância, são pessoas desinformadas em relação a outros caminhos e sem compreensão, benevolência e amor para com os outros. A capacidade de diálogo é possibilidade de paz.


O primeiro colóquio inter–religioso


Abrindo perspectivas para o diálogo entre as grandes tradições religiosas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) deu um importante passo, entre 8 e 10 de fevereiro de 1989, quando realizou o que chamou de colóquio inter–religioso entre hinduísmo, confucionismo, budismo, judaísmo, cristianismo, islamismo e religiões da África. O critério fundamental adotado foi o humanum — a dignidade humana, os verdadeiros valores humanos como critério universal, a interação dialética entre religião e humanidade, a possibilidade do consenso inter–religioso.
Foram as seguintes as conclusões daquele significativo diálogo:
a) A verdadeira humanidade é uma condição prévia da verdadeira religião. Ou seja, o humanum (o respeito pela dignidade humana e pelos seus valores fundamentais) é um requisito mínimo relativamente a qualquer religião; no mínimo, deve existir humanidade (é um critério mínimo), quando se pretende pôr em prática a verdadeira religião.
b) A religião verdadeira é a perfeição da verdadeira humanidade. Ou seja: a religião (enquanto expressão de um sentido transcendente, de valores elevados, de uma vinculação incondicional) constitui a condição prévia ideal para a realização do humanum: a religião (trata-se de um critério máximo) tem justamente de estar presente, sempre que se pretender pôr em prática os valores humanos como verdadeira forma de vinculação universal absoluta.3


Religião e paradigma


“Todo esforço é produtivo, quando metódico e
continuado!”, canta o excelente Renato Russo.
A presente exposição seguirá a perspectiva ontogenético-descritiva, com uma abordagem tópico-temática, visando-se realizar uma rápida análise da atual situação religiosa do budismo e do cristianismo, aplicando-se, como o fez, eficazmente, o filósofo e teólogo Hans Küng, no domínio da História das Religiões, a teoria dos paradigmas desenvolvida por Thomas S. Kuhn, no campo das Ciências Naturais.
Na definição de Thomas Kuhn, paradigma é uma “constelação de convicções, valores e técnicas. Uma constelação universal, una, consciente-inconsciente”.
Os paradigmas determinam a economia, o direito, a política, a ciência, a arte, a cultura, toda a sociedade.
No caso da religião, por exemplo, o budismo primitivo da Índia, o cristianismo medieval, o Budismo Mahayana e suas diversas escolas são paradigmas.
Para tornar clara a distinção entre paradigma e religião, eis alguns exemplos: uma pessoa, por exemplo, é adepta do BudismoTibetano e converte-se ao Budismo de Nitiren Daishonin. Neste caso, essa pessoa mudou de paradigma, não de religião. Outra, era católica e converteu-se à Igreja Evangélica Luterana, também não mudou de religião, apenas de paradigma. Outra, ainda, era membro da Igreja Presbiteriana e converteu-se ao Budismo de Nitiren Daishonin. Neste caso, mudou de religião.


Conforme divulgado, este espaço dedica-se ao esclarecimento de dúvidas a respeito da matéria “Budismo e Cristianismo — Semelhanças e Diferenças”, publicada no Especial da edição de junho, elaborada pelo Dr. Luiz Vieira Marques, membro do Núcleo de Estudos de Religiões do Departamento de Cientistas da BSGI.
Questão: Na página 7 consta a seguinte frase: “Não obstante a radicalidade das diferenças, budismo e cristianismo são dois grandes caminhos de salvação que levam ao mesmo fim: a felicidade eterna.” Isto quer dizer que mediante outras práticas também é possível atingir a iluminação?
Edegar Ozório da Silva, Santa Maria, RS.

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer o que é felicidade eterna para cada uma dessas religiões.
a) No cristianismo
O místico, jesuíta e paleontólogo Pierre Teilhard de Chardin, uma das maiores expressões da atualidade Teológica, em palestra proferida na China dizia: “Não pretendo fazer Metafísica nem Apologética. Mas voltarei, com os que quiserem me seguir, a Ágora. E aí, todos juntos, ouviremos São Paulo dizer à gente do Areópago: “Deus, que fez o Homem para que este o encontre, Deus a quem tentamos apreender pelo tatear de nossas vidas, esse Deus é tão difundido e tangível quanto uma atmosfera em que nos banhássemos. Ele nos envolve por todos os lados, como o próprio Mundo. O que vos falta, pois, para que possais estreitá-lo? Uma única coisa: vê-lo.”1
“A alegria do elemento que se tornou consciente do Todo ao qual serve e no qual se consuma — a alegria obtida pelo átomo reflexivo no sentimento de seu papel e de sua completação no seio do Universo que o carrega: tal é, de direito e de fato, a mais alta e a mais progressiva forma de felicidade que me seria possível propor e desejar aos senhores.”2
A verdadeira felicidade, como acabamos de precisar, é uma felicidade de crescimento, e, enquanto tal, espera por nós numa direção exata:
1. Pela unificação de nós mesmos no âmago de nós mesmos;
2. Pela união de nosso ser com outros seres, nossos semelhantes;
3. Pela subordinação de nossa vida a uma vida maior que a nossa.
Portanto, três fases, três passos, três movimentos sucessivos e conjugados são identificáveis no exame do processo de nossa unificação interior, isto é, no processo de nossa personalização. Para ser plenamente ele próprio e vivo, o Homem deve: centrar-se em si; descentrar-se sobre “o outro”; supercentrar-se num ser maior que ele mesmo. São os três tempos da personalização.
São as três formas de beatificação. São as três regras fundamentais da felicidade.3
b) No Budismo de Nitiren Daishonin
Felicidade eterna ou absoluta seria uma condição de vida inabalável atingida mediante a compreensão de que a Lei, ou a essência de todos os fenômenos, e a nossa vida são unas e inseparáveis.
É por essa razão que Nitiren Daishonin afirma: “Não há felicidade maior para os seres humanos do que recitar o Nam-myoho-rengue-kyo.”4
Mas recitar o Nam-myoho-rengue-kyo não é um ato de piedade, uma espécie de prática devocional, a simples recitação de uma prece. É fazer brotar das profundezas da vida a energia para manifestar o mais elevado estado de vida, o de Buda, e “conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram, rapidamente, o corpo de um Buda”.5 Ou seja, a felicidade atingida com a recitação do Daimoku não se restringe a si, mas abrange todos os outros.
“Ter fé”, orienta o presidente Ikeda, “significa viver de forma fiel a nós mesmos, como somos, e atingir um estado em que podemos dizer francamente: ‘Ah!, esta é a verdadeira satisfação’, ‘Minha vida é uma grande vitória’. Esta é a ‘paz e felicidade’. Todos, sem exceção, procuram a paz e a felicidade. Uma pessoa pode perseguir os ‘tesouros do cofre’, enquanto outras, os ‘tesouros do corpo’, como posição ou riqueza. Mas a verdadeira felicidade está em acumular os ‘tesouros do coração’. E a essência dos tesouros do coração é um grande estado de vida totalmente dedicado à fé. No entanto, essa não é uma felicidade que pode ser obtida por meio da satisfação dos anseios ou dos desejos. É uma questão de experimentar a ilimitada alegria da Lei – de receber livremente e desfrutar a felicidade derivada da Lei que surge em nossa vida. Cada um de nós pode definitivamente atingir esse estado de paz e felicidade. E como essa paz e felicidade derivam de nossa vida, são duradouras.”6
Ele diz ainda: “O Nam-myoho-rengue-kyo é a Lei, mas ao mesmo tempo é também a vida do Buda. A pessoa e a Lei são unas. E a unicidade de Pessoa e Lei é o ponto mais importante. Embora possamos falar da Lei como se ela fosse uma entidade independente, se realmente fôssemos separá-la da Pessoa (o Buda) se tornaria nada mais do que uma construção teórica. O que o Buda concretiza é a Lei. Na verdade, a Lei jamais existiria separada da sabedoria do Buda. O Buda e a Lei jamais podem ser separados.
“O Buda do tempo sem início, ou kuon ganjo, o Buda que existe eternamente sem início ou fim é a própria vida do Universo. É o constante e incessante trabalho de conduzir todas as pessoas à iluminação, sem um instante de pausa. De fato, esse Buda eterno e nós próprios somos um só. Isso significa que nós próprios viemos trabalhando para conduzir as pessoas à felicidade empenhando-nos pelo Kossen-rufu desde o remoto passado, e não somente nesta existência. Essa conscientização é o âmago do capítulo ‘Revelação da Vida Eterna do Buda’.
“Quando nosso ponto de vista expande-se do presente para a totalidade de todo o eterno Universo, despertamos para a nossa profunda missão de vida.”7
Essas palavras do presidente Ikeda traduzem o significado de atingir o estado de Buda ou a iluminação. Elas nos mostram que para atingi-lo precisamos, além da perfeita conscientização de nossa unicidade com a Lei, cumprir a missão do bodhisattva ou agir pela felicidade dos demais.
No Budismo de Nitiren Daishonin, não praticamos a fé para somente nós atingirmos o estado de Buda. Surgimos como Bodhisattvas da Terra para ensinar a todas as pessoas a recitarem o Nam-myoho-rengue-kyo a fim de que façam a revolução humana, consigam a transformação interior, engajando-se também na luta pelo Kossen-rufu. É assim que podemos manifestar a natureza búdica: lutando para que outras pessoas “adquiram o corpo de um buda”.8
Os Bodhisattvas da Terra são eternos ativistas que têm como base a Lei Mística. Sua vida é um eterno avanço. Quando manifestamos a energia inerente desses bodhisattvas, causamos o “emergir dos Bodhisattvas da Terra de dentro de nosso próprio ser. Agindo dessa maneira, podemos destruir a barreira do ser insignificante que tem limitado nossa vida”.9
Respondendo a questão: não é possível com práticas religiosas não budistas atingir o estado de Buda, por não haver a prática do Bodhisattva e a recitação do Nammyoho-rengue-kyo.
Religiões como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo conseguem conduzir as pessoas à felicidade eterna, de acordo com a visão que têm de felicidade eterna: o encontro “face a face”, definitivo com Deus, na concepção de São Paulo, a fusão com o Todo, a incorporação de todos os seres no Cristo Cósmico, como queria Teilhard, São João da Cruz, Santa Tereza d’Ávila. Nunca o estado de Buda. Sem abraçar os conceitos da vacuidade, da continuidade da vida em infinitas existências, da unicidade dos seres e a essência do Universo não é possível a outras tradições religiosas levar os seres humanos a atingir o estado de Buda.
NOTAS 1. CHARDIN, Pierre Teilhard de. Le Milieu Divin: Essai de Vie Intérieure (O Meio Divino: Ensaio de Vida Interior). Paris, Éditions du Seuil, 1957, pág.17. 2. Cf. CHARDIN, Pierre Teilhard. Mundo, Homem e Deus; textos selecionados e comentados por José Luiz Archanjo, 2ª ed., São Paulo, Editora Cultrix Ltda., MCMLXXX, págs. 74-81. 3. Ibidem. 4. The Writings of Nichiren Daishonin (Os Escritos de Nitiren Daishonin), pág. 681. 5. The Lotus Sutra (O Sutra de Lótus), cap. 16, pág. 232. 6. Brasil Seikyo, edição nº 1.447, 7 de fevereiro de 1998, pág. 3. 7. Ibidem, edição nº 1.491, 16 de janeiro de 1999, pág. 3. 8. The Lotus Sutra, cap. 16, pág. 232. 9. Brasil Seikyo, edição nº 1.141, 7 de março de 1998, pág. 4.

a) A busca da espiritualidade no budismo, como nas demais tradições religiosas orientais, consiste na construção de um caminho que leve a uma experiência de totalidade. É fazer uma experiência de não-dualidade. “Isso equivale a dizer: sentir-se pedra, planta, animal, estrela, numa palavra, sentir-se Universo. No Budismo de Nitiren Daishonin, busca-se descobrir o Myoho-rengue-kyo que se encontra em todas as coisas fazendo-se com que todas as pessoas compreendam e experimentem esta verdade. Cada ser possui dentro de si a Lei Mística (o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, preferia usar a expressão “vida” em lugar de “Lei”), o Myoho-rengue-kyo. Unindo-se a esta que é a essência última de todos os fenômenos, unimo-nos também e mergulhamos na harmonia profunda do todo.
“Não existe felicidade maior para um ser humano do que recitar o Nam-myoho-rengue-kyo”, garante-nos Nitiren Daishonin.
É fantástico viver o Budismo do Sutra de Lótus. Viver a experiência cotidiana do encontro com o Gohonzon, na interioridade de nós mesmos, com intensidade, na dimensão e na profundidade que o presidente Ikeda nos ensina, imbuído da consciência de que “o que importa é o coração”. Viver, não apenas “praticá-lo, racionalmente, como “religião”, como organização, no paradigma tradicional de “credo, código e culto”.
A vivência da fé, desta forma, alimentada pelo insondável mai-ji-sa-ze-nen (“medito constantemente”), ou o desejo do Buda, cria e desenvolve um centro interior com tal força e vigor que sateliza toda a realidade ao redor, refazendo a percepção da totalidade. “E nós nos movemos nessa totalidade como em nossa casa, com profunda serenidade, sem nenhum medo, porque nada pode ameaçar-nos, tudo está envolto ao redor desse centro poderoso” conseguido pelo Daimoku. Basta que seja um Daimoku de coração, harmoniosamente cantado sob o impulso da fé genuína; impregnado do espírito da gratidão que caracteriza a relação de mestre e discípulo, grávido do juramento do Buda: o “grande desejo de ampla propagação”, alicerçado no compromisso, sem restrições, de viver cada momento do dia ou da noite como um bodhisattva/Buda, trilhando um caminho ético extremamente coerente”.10
É impossível ser infeliz, avançando por este caminho de transformação.
Ao recitar o Daimoku do Sutra de Lótus, portanto, estamos buscando a comunhão com o todo (o Universo cósmico), nele incluindo o Myoho-rengue-kyo. 
b) O caminho do cristianismo e das outras religiões ocidentais, na perspectiva contemporânea, no paradigma atual, é o caminho da exterioridade. É a conquista do espaço exterior. Busca-se a comunhão com Deus, nele incluindo o todo.
c) Pensando no cristianismo em termos de antigos paradigmas, vê-se nesta religião mundial a forma de “religião” baseada na idéia de resposta obediente do homem a uma revelação divina. Uma religião de credo: a revelação da existência de Deus, por sua existência, por sua vontade e no seu projeto de universo, de código: a lei, o modelo, divinamente revelada que o homem deve seguir; o culto que é o método de adoração divinamente revelado pelo qual o homem se relaciona com Deus por meio de orações, rituais e sacramentos.11
Hoje, no entanto, o cristianismo é repensado. Retoma-se a experiência judaico-cristã centrada no encontro, do diálogo Deus–Homem, uma relação pessoal e dialogal; um encontro eu–tu, encontro entre desiguais, que pela abertura, a amizade e o amor estabelecem comunhão e inauguram uma aliança. Longe daquela perspectiva vertical: Deus no Céu mandando e o homem na terra obedecendo. O paradigma cristão contemporâneo retoma a experiência mais radical dos grandes profetas, de Moisés e de Pedro. Uma experiência fundamentalmente amorosa, em que o cristão se sente envolvido pela realidade divina. Dá-se aí um encontro na totalidade que move a interioridade. Retoma-se a experiência dos grandes místicos cristãos: João da Cruz, Teresa d’Ávila, Francisco de Assis, em sua mística cósmica, e mestre Eckart. Experiência de enamoramento, de amorosidade, de encontro, não de obediência e de temor.
Deus, neste paradigma, não é o Senhor, Todo Poderoso, Rei, Monarca, ontologicamente diferente do homem, no caso, súdito, mas um Deus presente em todas as coisas, e vice-versa. Um Deus que está na profundidade do coração do homem e, por isso, não existe distância entre um e outro. “Nele nos movemos. Nele nós somos, como recordava São Paulo a seus interlocutores na praça pública de Atenas. Estamos Nele como dentro do ar que respiramos. E Ele está em nós como nossos pulmões vivificados de ar.”12
Para o grande místico cristão do século XX, Teilhard de Chardin, em sua obra Le Milieu Divin (O Meio Divino), nós estamos dentro de Deus. Nunca saímos de Deus, nem vamos a Deus. A tarefa da fé é descobrir esse Deus que está presente em todas as coisas, mas oculto sob mil sinais. O Universo é um grande sacramento. A matéria é sagrada. A natureza é espiritual. Por quê? Pergunta ele. Porque a natureza é templo de Deus. Deus está em tudo e tudo está em Deus, tudo se reflete dentro de Deus. O Universo não é indiferente a Deus, pois está no Seu coração e pertence ao reino da Trindade.13 
Se estudarmos os capítulos 11º (“Surgimento da Torre de Tesouro”), 15º (“Emergindo da Terra”) e 16º (“Revelação da Vida Eterna do Buda”) do Sutra de Lótus, ancorados nos escritos de Daishonin e na interpretação do presidente Ikeda, vamos encontrar muito mais semelhanças, muito mais pontos de convergência do que dessemelhanças, pontos de divergência entre o budismo e o cristianismo. Não são caminhos antagônicos. São experiências complementares de espiritualidade.
É claro que este diálogo, estas semelhanças e convergências só são detectáveis se tomarmos como referência não o budismo primitivo, da “lei de causa e efeito”, entendida como retribuição (“bateu, levou”) e que o presidente Ikeda chama de causalidade “convencional”; ou o cristianismo fundamentalista dos círculos fechados.
É muito difícil enxergar semelhanças, virtudes e convergências no outro onde existe e não se deseja abandonar o sectarismo, a arrogância, o fanatismo, o convencimento de que se é dono da verdade.
Somente a compaixão é capaz de mudar os rumos deste mundo onde milhões e milhões de pessoas são vitimadas pela cruel competição do mercado globalizado, onde a pobreza e exclusão social, em nível mundial, e a sistemática agressão ao sistema da Terra, juntos, põem em risco o futuro do nosso planeta. 
Compaixão (karuna) é princípio gerador de um sentido global de vida. É, historicamente, reconhecida como a maior contribuição que o budismo ofereceu à humanidade. Neste sentido, significa desapego total do mundo e, simultaneamente, o cuidado essencial com o mundo.
No judeu-cristianismo, compaixão é “rahamim”, uma forma de misericórdia. Em hebraico significa “ter entranhas” e por elas sentir a realidade do outro, particularmente daquele que sofre. É co-sentir mais do que o entender, é mostrar a capacidade de identificação e de compaixão com o outro. A misericórdia é considerada a característica básica da experiência espiritual de Jesus. 
No Budismo do Sutra de Lótus, a compaixão, tão bem traduzida e sintetizada na frase “mai-ji-sa-ze-nen”, concretiza-se no “grande desejo do Buda Original Nitiren Daishonin. Refere-se “ao ilimitado desejo que surge da iluminação do Buda, o “desejo original da vida” de propagar os ensinos que levam as pessoas à felicidade. 
Ser compassivo e benevolente é viver, na perspectiva do juramento de Nitiren Daishonin, construindo, passo a passo, o Kossen-rufu na interioridade de si mesmo, buscando a transformação pessoal, conduzindo uma vida alegre, confiante, dominando emoções destrutivas como a raiva, o ódio, rancores, invejas, ciúmes, intrigas, na convivialidade do lar, da vizinhança, do trabalho, da escola, da comunidade religiosa, enfim em qualquer nível de relacionamento humano e com todos os seres vivos.

Um COMPLEXO de vitaminas, por favor?! Esse sistema não está funcionando...

O sistema imunológico está enfraquecido...

Primeiro o esôfago, estômago, intestino, 
até chegar no reto. Direto. Tudo passando direto
Sem respirar, sem descanso, sem sentar...
Depois um dedo inchado. Um pé torcido. 
Um caroço inesperado. Tudo dolorido. 
Dores no corpo inteiro. Cantinho, por cantinho...

E não contente, as cólicas menstruais resolveram aparecer...
Junto com o mal estar, dor de cabeça, sem energia de levantar.
E então, uma noite mal dormida, espirros... garganta vermelha...
Será que estou sinusitando?! Sinusitar: é quando a sinusite não quer ficar de fora.
Para ajudar, quer trazer uma amigdalite... só não quero deixar!

Comecemos pela Vitamina E, que reforça o sistema imunológico!

Está complexo... talvez um reflexo... Tudo está turvo, um surto...
Embaçado... desnorteado...
Embaciado... tapado...
Enodoado...difamado...

Vitamina C, que protege contra infecções!

Confuso, Conturbado, o Cotidiano...
Calejando, Cotejando,  Caminhando...

Depois vem a A, pra Oxidar... Oxigenar...
Olvidar... ou te fazer relembrar...

Que precisamos das vitaminas do complexo B,
que servem para desintoxicar...
O sangue... Que circula... Bem devagar...

E que também precisamos da K, que serve pra coagular...

O sangue... Que corre...  Sem parar... 

PAREI.

Uma névoa lá fora, um nevoeiro aqui dentro...

Complexo... Reflexo... Reflito. 
Desconexo... Perplexo... Aflito. 

- Um complexo de vitaminas, por favor?!
Esse sistema não está funcionando...

Abrir mão também é amor!

É comum ouvir que amor é aquilo que faz dois serem um. Perdi a conta de quantas vezes vi casais brigarem ou se separarem por conta dessa lógica – tão ilógica para mim.Um só sai se o outro sair, um só come o que o outro comer, só assiste o que o outro deseja assistir, e assim eles entram numa fusão que faz do amor a dois tudo, menos amor a dois efetivamente.

Quando se permite que o namorado vá ao futebol, ou que a namorada caia na night com as amigas geralmente tem-se uma certa “desaprovação social”. Ouve-se muito um ” mas você deeeixa?”, ou ” você faz isso porque não ama de verdade”. Contraditoriamente a esse último argumento, acho que quem ama de verdade faz isso sim.

Para o amor viver é preciso de ar, de janelas abertas, de oxigênio. E, na minha opinião, só a liberdade é capaz de oferecer isso. Como já bem diz meu pai, liberdade e libertinagem são coisas completamente diferentes, e talvez confundir esses termos seja a grande emboscada que arruína os relacionamentos. É preciso ter uma base sólida para se confiar no outro e aproveitar a liberdade sem medos. Afinal, um namoro que diz-se “livre” mas que é permeado por insegurança, receios e afins não é livre coisa nenhuma.

Sabe essa ideia antiiiga de que para manter a vaca no pasto é preciso cercá-lo bem?

Em relacionamento isso não está com nada. É preciso oferecer uma boa grama, um ambiente agradável e seguro para que a vaca – sem trocadilhos, pessoal!- fique bem onde está. Não consigo acreditar que exista alguém que goste de se sentir preso ao outro; ninguém gosta de coleiras, correntes, nem nada que limite o básico direito do ir e vir.

Luís de Camões, conhecidamente cantado pelo Legião Urbana, já dizia que o amor é “querer estar preso por vontade”, e é bem por aí mesmo. O amor é um sentimento livre em essência, e tudo que vá de encontro a isso é negativo. E essa liberdade do sentimento é algo tão substancial que até a própria escolha do amado não funciona com direcionamentos matemáticos ou com ordens de para onde deve seguir. O amor é tão  livre, que por vezes nem mesmo lhe é permitido escolher alguém, já que ele passa a frente de qualquer racionalidade e acerta em cheio o parceiro mais aleatório e improvável do mundo.

Deixar o amor ser livre é, no mínimo, uma prática coerente. Se a liberdade o caracteriza a esse ponto, vá com a maré. Vá ao cinema sozinha, deixe o seu namorado jogar o videogame dele em paz…Respeite o espaço livre de ambos. Por uma questão humana, é natural que haja gostos distintos mesmo, e respeitar essa diferença não é falta de amor, mas, no meu ponto de vista, trata-se de um respeito a liberdade de cada um, um amor transcendente ao egoísmo.

Abrir mão da companhia de quem se ama é um voto de confiança, é uma prova de amor, e não uma falta dele. Se você ama profundamente, ame a ideia de permitir que seu namorado viva experiências sem você, e se ame a ponto de permitir viver experiências sem ele. Não estou entrando na questão de experiência como sinônimo de pegação não, estou falando de práticas cotidianas mesmo. Você gosta de comida japonesa e ele odeia, não deixe de ir…Vá com suas amigas sem o peso de se achar em falta com o boy. Ele não é obrigado a gostar, e em situações como essa o consenso nem sempre é a melhor saída.

Desejo a todos os casais apaixonados que se presenteiem com mais corações alados...

Antes do último grão cair...

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e esta canção
Pra dizer adeus ao nosso, ao nosso coração

Tá na minha frente
Não se perturbe verdade é pra falar
Sei que vai morrer um pouco
Mas ainda há tanto pra lembrar
seu sorriso lindo, indefinido
Suas mãos tão quentes atravessando o meu vestido

Palavras que falávamos simultaneamente
No meu ouvido o seu discurso indecente

Às vezes o amor
Escorre como areia
entre os dedos
Não tem explicação
para tantos erros
É melhor partir
Antes 
do último grão cair...

A vida é um difícil equilíbrio entre preservar e deixar ir...

Ganhar, perder, rir, chorar, abraçar com emoção, fechar os olhos em solidão… A vida é um ciclo que não tem fim, que flui, corre e que escapa das mãos mesmo que se queira retê-la. Como a juventude, como esse amor eterno que uma vez nos venderam e que sempre teve na verdade, data de validade.

A vida é um difícil equilíbrio entre preservar e deixar partir, uma lei que ninguém ensina e para a qual não fomos preparados e que, contudo, vamos aprendendo calados com o tempo.

Desde pequenos somos protagonistas desses acontecimentos que nos marcarão para sempre. Aprendemos, por exemplo, que existem diferentes tipos de perdas.

Sem dúvida você se lembrará daqueles amigos que foram morar em outras cidades e que você nunca mais viu e também da morte de alguns dos seus familiares ou inclusive animais de estimação, e você estabeleceu uma separação dolorosa que jamais conseguiu superar.

A vida tece o seu próprio equilíbrio de ganhos e perdas, costurando distâncias que nunca poderão ser alcançadas, perdas que teremos de assumir para um aprendizado pessoal, o mais solitário de todos.
Falaremos a seguir desta lei implícita da qual todos deveríamos ser conscientes.

Para “preservar” é preciso saber reconhecer o que se tem
A dor da perda é, na verdade, o valor e todo o amor atual que você direciona a aquilo que o envolve. Ninguém chora, por exemplo, por algo que não ama; ninguém sente o vazio de algo que anteriormente não tinha no seu interior. Assim, neste equilíbrio vital que a vida estabelece, é necessário primeiro saber reconhecer tudo aquilo é valioso para si.

Aprenda a valorizar tudo aquilo que o rodeia, olhe nos olhos daqueles que gostam de você. Sinta a simplicidade do dia a dia e viva cada momento como se fosse o último.
Nenhum de nós sabe quão longa ou quão fugaz será a sua “parcela” de vida, ou inclusive a dos outros. Que tal aprender a desfrutar mais do presente e do “aqui e agora”?

Às vezes é difícil; há momentos em que nos vemos cheios de preocupações e obrigações, focamos o olhar no passado e nossas expectativas no futuro, deixando o presente de lado, como se ele não existisse. Como se não estivesse nos abraçando neste exato momento...

Às vezes somos criaturas doentes de nostalgia, e mais, segundo dizem muitos psiquiatras, o cérebro humano passa grande parte do seu tempo evocando lembranças. O que é pior, há quem caia nesses pensamentos obsessivos que o amarram cegamente a esse fracasso de ontem, nesse erro do passado.


O que você perdeu ontem já não existe mais. Deixe-o ir, assuma e aceite-o. A dor de ontem é uma porta pela qual é preciso passar para se reencontrar com o que você é agora, alguém mais humilde e sábio que merece ser feliz de novo.

Deixar ir” para chegar ao equilíbrio
“Deixar ir” não é apenas assumir uma perda ou um fracasso. É também amadurecer, trocar algumas ideias por outras, crescer internamente e inclusive confrontar os seus próprios valores.
As vezes associamos a ideia de “deixar ir” a ter que aceitar um fracasso emocional ou uma perda pessoal, quando na verdade praticamos este conceito ao longo de toda a nossa vida. Amadurecer é conceber novas ideias e inclusive confrontar as suas próprias palavras de outrora…

A criança que você foi teve que desafiar o adolescente que pedia mais direitos, mais liberdades. O adulto entendeu depois que nem tudo é liberdade, que também existem responsabilidades.

A pessoa que você foi há anos com certeza não é igual a quem você vê hoje no espelho. O aprendizado vital, emocional e o simples cotidiano fez você se desprender de coisas e assumir novos conceitos.

Como se vê, cada um de nós “deixa ir” pequenas coisas a cada dia. Contudo, as maiores são sempre mais dolorosas. Por exemplo, como deixar partir da sua mente e do seu coração uma pessoa que antes preenchia todo o seu universo?

Existem vazios que doem e adoecem, buracos onde é possível se perder se você não for capaz de se desprender do que lhe causa mais dor que benefício.

Não se aferre a algo que lhe causa dor e que não funciona. Não puxe daquilo que não quer ceder… Deixe partir; a vida continuará fluindo e lhe trará mais opções. Mais oportunidades...

Mas... É sempre difícil partir... 
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*Esse é o link de música que fala muito sobre esse momento...

...sinto que agora precisa acabar...  não quero mais te controlar...
sem você posso ser quem eu sou... não será você mesmo se tiver que mudar...
não aceito você dizer que não pensei em você, eu não sou desse jeito, sempre tentei te entender...
passei por cima das minhas vontades...
"pode ser melhor tendo você por perto"... já pensei nisso! eu não consigo mais...

Encontros & Inesperados

Pela manhã, encontro (reunião) com V. e R. para decidir novos rumos do meu trabalho com os Garçons Cantores. Logo depois, almoço com V., que não tem ideia de quão especial é pra mim, sempre me ensina muita coisa... Após almoço, casa de N., uma grande amiga... Precisávamos resolver pendências e principalmente limpar nossos ressentimentos que ficaram de algo mal resolvido. Olho no olho... Compartilhamos algumas angústias de nosso dia-dia, desabafamos algumas mágoas, dividimos alguns momentos, um ABRAÇO. Não foi fácil... e acho que qualquer relação profunda, não é fácil... Enfim, (o resto desse episódio ainda terá em outra postagem...) depois da conversa, combinei com minha mãe de assistir "Olmo e a Gaivota" no Cine Caixa Belas Artes. Fui para o local combinado, mas não sabia se minha mãe chegaria a tempo para assistir o filme.

Comecei a pensar, "será que estarei sozinha no cinema? Nunca isso me ocorreu..." , logo esse pensamento saiu de minha mente... Encontro C., e o que mais me impressionou que não seria uma pessoa que imaginaria encontrar naquele local. Ele esperava uma amiga, enquanto isso conversávamos... Assistiria o mesmo filme, e eu pensava "Nossa, nunca estamos sozinhos"... Sua amiga chegou, uma pessoa de energia tão boa... Tenho dado muita atenção aos encontros... Amei conhecê-la também... Eles resolvem dar uma volta, decido não ir, e fiquei pensando "porquê não?!"... Eles saem, encontro R. Fazia anos que eu não a via... Mas havia pensado nela esses últimos dias... Conheci tão pequena, agora uma mulher, junto com seu namorado, tão sorridente... Linda. Ai entendi porque não havia ido com o C...rs Também trocamos um bom papo... Deu a hora para entrar na sala. Minha mamis ainda não havia chego... "será que ela chegaria?!"


Sentei ao lado de um casal, fiquei meio desconfortável, "será que estaria atrapalhando?", mas logo percebi que os dois não estavam muito bem... O cara com cara de nervoso. Ela com cara de espanto... Durante o filme, sorri pra ela... Parecia que ela havia se acalmado, retribuiu meu sorriso... Mais a frente do filme, ele havia dormido, pude trocar uma frase com ela, "Nada é fácil, as vezes temos que tomar algumas decisões..." Ela apenas acenou... Entendeu que não era apenas um comentário do filme que eu ali fizera...
Levanto da cadeira e encontro mamis, linda como sempre, que perdeu alguns minutinhos do filme, mas conseguiu assistir! Fiquei muito feliz, ela correu muito pra chegar... 

Ao sair, claro, fomos passear na paulista, tirar fotos, ver livros, comprar roupas para papai, tomar sorvete. Tomamos um sorvete bem chique, bem caro, que óbvio que não sei o nome, mas o que estávamos curtindo mesmo era aquele momento!


Ao terminar o sorvete, vejo S. passando. Grito seu nome! Outra pessoa que jamais imaginaria estar por ali... Da faculdade, pessoa inesquecível, com energia contagiante e que sempre lembro com muito carinho.


Conversamos, ainda ganhamos uma carona dela... O carro de S. estava no estacionamento de uma estação de metrô... No caminho, bastante atentas,  falávamos sobre nossa apreensão pelo caminho mal iluminado... Quando descíamos as escadas, um rapaz subia com uma pasta transversal, com a mão dentro dela... Eu já imaginava o que seria... Fiquei um pouco mais a frente das duas, do lado direito... Ele aparece com um revólver em mãos aponta para S. e diz: "Não gritem, e não corram. Apenas passem seus telefones." 
Muitas coisas me passou na minha cabeça naquele momento, mas de certa forma estava tranquila. Fiquei bastante preocupada com minha mãe e S., claro. Mas também com aquele rapaz, tão novo... Porquê?! Com calma , me dirigi a ele, fui virando para trás, (nessa hora minha mãe começa a correr, e S. logo atrás).
Eu já estava me pensando em pegar meu celular, e ele diz: "vai logo!". (Nessa hora já estávamos só eu e ele). E eu então, olho bem no fundo dos olhos do rapaz, que apontava a arma ainda, e disse: "Calma moço...", com o sentimento muito real de que ele não precisasse mais fazer isso. No mesmo instante, ele abre um sorriso metálico (sim, lembro bem do rosto e do aparelho) e diz: "que isso moça, tava só brincando, você acha que quero celular?!" e guarda o revólver. Ele sobe as escadas, eu desço ao encontro de minha mamis e de S. no estacionamento. Nervosas, claro, avisamos ao "segurança" do estacionamento sobre o acontecido.
Enfim, fomos para casa (na porta de casa, alias), pensando o quanto nada é por acaso... Tinhamos que estar juntas ali, naquele momento...
Algumas coisas desse dia ainda estou em processo de reflexão... São tantas as relações que adornam nossa vida... Os encontros, esperados ou não... Tenho pensando sobre isso... Quero viver mais dessas relações... Pra mim, a maior arte... A arte da convivência!

*23.12.2015


Amiza(des)cepcionada...

"A palavra amigo deriva do latim amicus, com o significado de preferido, amado. Sua origem é o verbo amare, em português - amar. Assim, a amizade é uma forma de amor. Um amor sincero, leal e transparente...


Aquilo que você quer ouvir, seus inimigos podem lhe dizer a qualquer hora, especialmente se isso for encaminhá-lo para armadilhas.

Um amigo de verdade multiplica os momentos felizes e ameniza os momentos de tristeza. Ele dá força e inspiração e divide as experiências com tamanha alegria que te faz ter a certeza de jamais estar sozinho."

Essas foram algumas reflexões de Carlos Hilsdorf, sobre amizades... Nunca gostei muitas dessas definições de amigxs, pois acho que existem amigxs para todos os tipos de situação, como nessas minhas postagens: Como entender os amigxs?,  Amigxs, com seus defeitos e qualidades!Melhores amigxs de diferentes maneiras...

Mas, há um tempo, fiquei pensando sobre essa transparência da amizade, e esse não se sentir sozinho, que o autor traz... Tive uma decepção com uma grande amiga que jamais imaginaria. É muito louco porque meu coração até dói em pensar...

Talvez em um dos momentos mais difíceis da minha vida, não apenas na questão de afazeres, mas nas minhas relações e na vida no geral, quando eu mais precisava, e não por falta de avisar, ela me abandonou. Me senti desamparada. Sozinha... Quase como num precipício, pensei em desistir, porque teria de ter muito mais força e energia, que eu já não estava conseguindo...

Era como se ela tivesse me jogado na fogueira e sumisse... (pior que tive até sonhos disso... medo)
Essa sensação de não saber o que fazer, de contar e não obter respostas... Cada hora era uma coisa a mais que me deixava na mão... Senti todos os sentimentos ruins por uma amiga que jamais imaginei... Até porque nunca tinha me decepcionado dessa maneira com ninguém...
Sentia a necessidade, e não falei apenas uma vez a ela, que eu precisava de apoio, e não era só nas questões combinadas, era compartilhar as alegrias, vibrar junto a cada conquista, dar inspiração, dividir as experiências, como no texto diz... e isso não aconteceu.. E mais do que isso, não houve nenhum pouco de transparência... Ela simplesmente se ausentou de tudo...

Eu entendo que a vida muitas vezes seguem alguns rumos não planejados, apesar dos nossos inúmeros planejamentos, mas não pude ouvi-la falar uma vez se quer, que infelizmente ela havia entrado em outros compromissos, por isso acabou se ausentando um pouco, mas que sua energia estava comigo, ou qualquer coisa... Uma palavra se quer... Preferiu mesmo ficar offline...
Sim, eu sei muito bem de minhas energias exacerbadas, de meus desesperos, inquietações que as vezes as pessoas não me entendem, ou se assustam... Mas não custava nada um, "desculpa, eu não vou conseguir fazer isso..." Mas não...Se comprometia, não fazia, eu acabava fazendo, muito magoada... Mas tentava de novo... Nada... Era como se uma má vontade tivesse se instalado, e meu coração doía, doía...
Poxa, estava tão animada, parecia gostar de meu trabalho... Parece que de repente nem isso gosta mais...

Era tão mais fácil dizer que se ocupou demais, ou que estava mesmo sem vontade... Que eu tava chata demais, então não estou aguentando a pressão também... sei lá... Mas não. Ficou ausente. Isso me feriu de uma maneira muito pior do que palavras tortas... Não quero uma amizade superficial ou apenas com interesses... E não digo que essa amizade foi isso... mas que é o que estou sentido agora? É...

Tenho tido o costume de ser bem sincera com meus sentimentos... Não quero coisas mais ou menos... 
Sei entender também que obviamente a decepção vem pela expectativa que criei... Quem criou fui eu... Mas... de fato, imaginei que essa amiga iria vibrar comigo a cada conquista... Ia procurar outras formas de conseguir... Ia me dar a mão... Ia fazer um monte de coisas, mandar monte de ideias que teve, porque estava super animada (eu ia achar defeitos em metade, porque eu sou assim mesmo... acho defeitos mil em tudo q faço tb), mas eu iria ficar feliz, porque ela estava fazendo o máximo que podia... Mas... não foi o que eu vi... Eu só vi um "vou fazer a minhas coisas..." Só vi OMISSÃO.

Tal palavra vem do Latim omissus, particípio passado de omittere, “deixar escapar, perder, renunciar, não falar de”. E esta palavra se compõe de ob-, intensificativo, mais mittere, “enviar, deixar ir”.
Talvez, pelo menos pra mim, se omitir seja uma das coisas que mais me magoam... descobri agora... 
Deixar na espera... Na esperança... Pior do que um "NÃO!"... "Estou indo embora!"...

Não acho que o fato diminuiu a amizade, o "amicus", o amor... Mas ele se modifica... Assim como todo o amor de casal, assim como amor de pai e mãe...  Continuo pensando que é uma amizade verdadeira, mas não a que eu imaginei! E desconstruir aquilo que criamos, dói muito! Quem sabe eu possa logo me omittere essa decepção?! Assim espero... Sei que tudo não aconteceu porque ela é ruim, porque ela quis me magoar, ou porque ela me odeia, ou porque ela unca fez nada por mim... maaaas, eu também não queria me sentir assim, e no entanto estou sentido, e senti demaaaais! Com certeza algo que ficara gravado pra minha vida inteira, um dos momentos mais difíceis de minha vida... 

Liberdade...

Senti como se o peso do mundo estivesse sobre meus ombros
Pressão para quebrar ou recuar em cada curva
Enfrentando o medo da verdade, eu descobri
Sem dizer como, tudo isso vai dar certo
Mas eu cheguei muito longe pra voltar agora

Estou à procura de liberdade, a procura de liberdade
E para encontrá-la, custou-me tudo que eu tinha
Bem, eu estou procurando a liberdade, buscando a liberdade
E encontrá-la, pode tirar tudo que eu tenho.

Eu sei muito bem que isso não vêm fácil
As correntes do mundo parecem estar se apertando
Eu tento andar, mas se estou tropeçando de um jeito familiar
Tentando me levantar, mas a dúvida é tão forte
Tem que haver um vencedor em meus ossos


Oh, não desistir sempre foi difícil, tão difícil

Mas se eu fizer as coisas da maneira mais fácil, eu não irei longe

Mhm, A vida não tem sido muito boa para mim ultimamente (bem)
Mas eu suponho que isso seja um impulso pra seguir em frente (oh, sim)
No tempo certo, o sol vai brilhar gentilmente em mim (em mim, yeah)
Algo me diz, coisas boas estão vindo
E eu não vou não acreditar

Estou à procura de liberdade, a procura de liberdade
E para encontrá-la, me custou tudo que eu tinha
Bem, eu estou procurando a liberdade, buscando a liberdade...

E encontrá-la, pode tirar tudo que eu tenho!

*Tradução da música Freedom de Anthony Hamilton
**Foto do dia 18/12/2015, na praia com Tio Stefano

Objetivos 2016 e algumas conquistas!

Hoje estive relendo uma postagem que fiz no ano de 2011,
onde foi a única vez que compartilhei minhas vontades: Objetivos - 2012

Fiquei muito feliz ao notar que, apesar de, nem todos terem sido concretizados no ano que os escrevi,
a maioria deles já está concretizado nesse ano de 2015, e outros estão próximos
e que brevemente serão concretizados. Muito feliz! Vejamos aquilo que concretizei:

Objetivos 2012 - 2015

·         Realizar um ensaio fotográfico e adquirir o meu book para trabalhos profissionais
·         Conseguir o meu registro profissional de atriz (DRT)
·         Abrir um título de capitalização (e espero ser sorteada!)
·         Ingressar em um grande musical. Que seja o melhor e que me faça feliz!
·         Tirar no mínimo 9,0 no meu TCC da Termomecanica
·         Conseguir doar no mínimo 340 reais na ONG na qual eu pertenço
·         Ler no mínimo 12 livros no ano
·         Trocar cômoda 
·         Arrumar o design do meu guarda-roupa
·         Aprender a andar de bicicleta, e, adquirir uma!
·         Realizar curso de regência em Londrina
·         Tirar minha CNH (Carteira Nacional de Habilitação)
·         Fazer um clipe (que vai “bombar” no youtube...rs)
·         Registrar músicas de minha composição
·         Ser aprovada na pós-graduação na USP
·         Conseguir terminar a formação de Teatro e Dança no CLAC, intensificando meu trabalho como atriz, mas principalmente me lapidando como ser humana, na arte da convivência.





Agora, alguns dos meus objetivos, mais palpáveis, para esse ano que logo começa...

Objetivos 2016

·         Viajar para outro país (a priori pensei em França, ou Japão), e para isso...
·         Tirar o meu passaporte (URGENTE)
·         Correr na São Silvestre (15km), e em todas as outras corridas que me forem possíveis. (em questão dia e preço...rs)
·         Gravar CD com minhas composições (já está bem próximo da concretização)
·         Fazer o projeto da ESCOLA SANCAR, da minha família...
·         Dar um presente significativo para meu pai e minha mãe! (acho que o CD conta? E minha música na rádio...)
·         Tirar minha habilitação para moto, categoria A.
·         Voltar a fazer dança e aulas de lutas marciais.
·         (...)

Logo mais, continuo a escrever...

Ainda acredito?! Ainda insisto?!

Basta olhar no fundo dos meus olhos
Pra ver que já não sou como era antes
Tudo que eu preciso é de uma chance
De alguns instantes

Sinceramente ainda acredito
Em um destino forte e implacável
E tudo que nós temos pra viver
É muito mais do que sonhamos


Será que é difícil entender
Porque eu ainda insisto em nós (?!?)
Será que é difícil entender

Vem andar comigo...


*Qual meu limite? 09/12/2015